A Mesa no Deserto/ Motorrad

A Mesa no Deserto/ Motorrad

18 Ficção Duração: 1h 49min

O filme

A Mesa no Deserto, que também circula pelo título Motorrad, é uma produção brasileira que coloca motociclistas no meio de um deserto semicolonial, com estradas vazias, poeira e um pacto de silêncio entre os personagens.

O longa se apoia mais em atmosfera do que em diálogo: câmera parada, calor visual, ruído de vento. Não é um filme de eventos, é um filme de clima.

A sensação é de estar assistindo a um trabalho que se reconhece como herdeiro do cinema de exploitation dos anos 1970, só que transportado para o interior árido do Brasil, com motociclistas como figuras quase míticas.

Quando estreou e por que ainda importa

Como obra de produção independente, A Mesa no Deserto circulou primeiramente em mostras e circuitos alternativos antes de ganhar exibição mais ampla, o que é comum em projetos de ficção experimental brasileira.

Esse caminho de festival para sala ajuda a explicar o tom: a obra foi sendo moldada para um público que consome cinema de gênero com expectativa de estranhamento, não de conforto narrativo.

Hoje o filme é lembrado justamente por apostar em algo raro no cinema nacional: road movie seco, com pouquíssimo diálogo e enquadramentos que tratam a paisagem como personagem.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a fotografia do deserto. O calor sai da tela, e os planos abertos dão ao filme uma dimensão quase de pintura em movimento. A secura do cenário vira personagem, e isso é mérito raro.

Ponto alto também: o elenco. As interpretações são contidas no ponto certo, sem dramaticidade exagerada, o que combina com o tom solene e silencioso da obra.

Ponto fraco: o roteiro pede mais. A mitologia que surge ao redor dos motociclistas fica subexplicada, e o espectador sai do cinema com mais perguntas do que respostas.

Ponto fraco: ritmo. Para quem busca ação, motor acelerando e confronto direto, a proposta é outra. É filme de espera, de olhar e de suor acumulado na tela.

Curiosidades

  • O título Motorrad é uma referência direta à estética motociclística que marcou o cinema de exploitation europeu dos anos 1970
  • A produção apostou em filmagens em locações reais de deserto brasileiro, evitando efeitos digitais de paisagem
  • A classificação 18 anos se justifica pelo tom seco, violento e ritualístico que predomina em várias cenas

Perguntas frequentes

A Mesa no Deserto / Motorrad é o mesmo filme?

Sim. A obra circula pelos dois títulos: A Mesa no Deserto no circuito brasileiro e Motorrad em mostras internacionais e referências estrangeiras.

O filme vale a pena?

Vale se você curte cinema de atmosfera, road movie desértico e ficção brasileira experimental. Se prefere ação constante e roteiro explicativo, pode frustrar.

Tem cena pós-créditos?

Não. A narrativa se encerra dentro do próprio filme, sem sequência adicional após os créditos finais.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de ficção brasileira autoral que curtem cinema de atmosfera e pouca explicação
  • Cinéfilos interessados em road movies desérticos, herdeiros do cinema de exploitation e do cinema de estrada europeu
  • Leitores de cult movies dos anos 1970, fãs de Motorcycle Diarys sombrios e admiradores de paisagens inóspitas filmadas com paciência

Título original: A Mesa no Deserto/ Motorrad

País de origem: Brasil