A Mesa no Deserto/ Motorrad
O filme
A Mesa no Deserto, que também circula pelo título Motorrad, é uma produção brasileira que coloca motociclistas no meio de um deserto semicolonial, com estradas vazias, poeira e um pacto de silêncio entre os personagens.
O longa se apoia mais em atmosfera do que em diálogo: câmera parada, calor visual, ruído de vento. Não é um filme de eventos, é um filme de clima.
A sensação é de estar assistindo a um trabalho que se reconhece como herdeiro do cinema de exploitation dos anos 1970, só que transportado para o interior árido do Brasil, com motociclistas como figuras quase míticas.
Quando estreou e por que ainda importa
Como obra de produção independente, A Mesa no Deserto circulou primeiramente em mostras e circuitos alternativos antes de ganhar exibição mais ampla, o que é comum em projetos de ficção experimental brasileira.
Esse caminho de festival para sala ajuda a explicar o tom: a obra foi sendo moldada para um público que consome cinema de gênero com expectativa de estranhamento, não de conforto narrativo.
Hoje o filme é lembrado justamente por apostar em algo raro no cinema nacional: road movie seco, com pouquíssimo diálogo e enquadramentos que tratam a paisagem como personagem.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia do deserto. O calor sai da tela, e os planos abertos dão ao filme uma dimensão quase de pintura em movimento. A secura do cenário vira personagem, e isso é mérito raro.
Ponto alto também: o elenco. As interpretações são contidas no ponto certo, sem dramaticidade exagerada, o que combina com o tom solene e silencioso da obra.
Ponto fraco: o roteiro pede mais. A mitologia que surge ao redor dos motociclistas fica subexplicada, e o espectador sai do cinema com mais perguntas do que respostas.
Ponto fraco: ritmo. Para quem busca ação, motor acelerando e confronto direto, a proposta é outra. É filme de espera, de olhar e de suor acumulado na tela.
Curiosidades
- O título Motorrad é uma referência direta à estética motociclística que marcou o cinema de exploitation europeu dos anos 1970
- A produção apostou em filmagens em locações reais de deserto brasileiro, evitando efeitos digitais de paisagem
- A classificação 18 anos se justifica pelo tom seco, violento e ritualístico que predomina em várias cenas
Perguntas frequentes
A Mesa no Deserto / Motorrad é o mesmo filme?
Sim. A obra circula pelos dois títulos: A Mesa no Deserto no circuito brasileiro e Motorrad em mostras internacionais e referências estrangeiras.
O filme vale a pena?
Vale se você curte cinema de atmosfera, road movie desértico e ficção brasileira experimental. Se prefere ação constante e roteiro explicativo, pode frustrar.
Tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra dentro do próprio filme, sem sequência adicional após os créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de ficção brasileira autoral que curtem cinema de atmosfera e pouca explicação
- Cinéfilos interessados em road movies desérticos, herdeiros do cinema de exploitation e do cinema de estrada europeu
- Leitores de cult movies dos anos 1970, fãs de Motorcycle Diarys sombrios e admiradores de paisagens inóspitas filmadas com paciência
Título original: A Mesa no Deserto/ Motorrad
País de origem: Brasil