Veja o trailer do filme A ideia de um lago
O que é A ideia de um lago
Inès é fotógrafa profissional e está prestes a dar à luz o primeiro filho. Antes disso, decide terminar o livro em que trabalha há anos, um projeto sobre as memórias da própria infância.
Para escrever, ela volta a um lugar específico: a casa de veraneio da família no sul da Argentina. É ali que tudo aconteceu: a juventude, as férias, a formação do caráter.
No meio das recordações, surge uma única foto dela com o pai, desaparecido durante a ditadura militar. A imagem funciona como gatilho para remontar, peça por peça, a relação de Inès com a mãe e o irmão.
É o segundo longa de Milagros Mumenthaler, depois de Abrir portas e janelas, e mantém o mesmo interesse da diretora por personagens femininas que reorganizam a vida em silêncio.
Quando estreou e por que ainda importa
A ideia de um lago passou pelo Festival de Locarno em 2016, na competição oficial, e chegou ao circuito de arte europeu com recepção crítica positiva, especialmente pelo trabalho de Carla Crespo no papel principal.
No Brasil, entrou em cartaz em 16 de março de 2017 com distribuição da Festival Filmes, ocupando salas de cinema de arte em São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais.
Hoje, é lembrado como um exemplar raro do drama latino-americano contemporâneo que consegue tratar temas duros — ditadura, luto, maternidade — sem apelar para melodrama. O lago do título virou imagem recorrente em ensaios sobre cinema argentino recente.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Mumenthaler usa o lago e a casa como espelho da cabeça de Inès. A água parada, a luz cinzenta do inverno patagônico e os enquadramentos longos criam uma sensação de memória sendo remontada em tempo real.
Ponto alto: a interpretação de Carla Crespo sustenta o filme inteiro praticamente sozinha. Boa parte da narrativa passa pelo rosto dela em close, lendo cartas, organizando fotos, esperando.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem busca ação, conflito explícito ou reviravoltas vai achar pouco. O filme prefere sugerir a mostrar.
Ponto fraco: algumas pontas ficam abertas de propósito, o que pode frustrar quem espera respostas sobre o paradeiro do pai.
Curiosidades de bastidores
- As filmagens aconteceram de fato no sul da Argentina, em locações próximas a Bariloche, o que dá à fotografia um realismo difícil de reproduzir em estúdio.
- Milagros Mumenthaler é suíça-argentina e morou em Buenos Aires, fato que aparece na maneira como a diretora filma a relação entre os dois países e suas memórias.
- A referência ao pai desaparecido dialoga com a história real argentina: estima-se que cerca de 500 crianças foram sequestradas durante a ditadura militar, tema do filme As Correntes.
Perguntas frequentes
A ideia de um lago é baseado em fatos reais?
Não é uma biografia declarada, mas a história da foto do pai desaparecido dialoga diretamente com o contexto da última ditadura argentina (1976-1983) e os desaparecimentos forçados do período.
Qual a duração do filme A ideia de um lago?
São 82 minutos, uma duração curta para o gênero, o que combina com a proposta econômica de Mumenthaler.
Quem é a diretora Milagros Mumenthaler?
É uma cineasta suíça-argentina, autora de Abrir portas e janelas (2006) e deste A ideia de um lago, com passagem por Locarno, BAFICI e outros festivais voltados ao cinema autoral.
Pra quem é este filme:
- Quem acompanha o cinema de festival latinoamericano e curte obras do circuito de Locarno, San Sebastián e Mar del Plata.
- Fãs de dramas familiares com câmera parada, narrativa contemplativa e temas como memória, ditadura e maternidade.
- Quem gostou de filmes como Adeus entusiasmo e Os Donos, que também colocam mulheres no centro de histórias políticas silenciosas.
Título original: La idea de un lago
País de origem: Suíça / Argentina / Qatar
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Milagros Mumenthaler
Principais atores: