A Fonte das Mulheres
De onde vem a água, e para onde vai o silêncio
Em um vilarejo isolado entre o Norte da África e o Oriente Médio, a vida gira em torno de uma fonte longínqua. Todos os dias, as mulheres acordam antes do sol e caminham quilômetros carregando baldes.
Enquanto isso, os homens tomam chá, conversam e esperam. É nesse cenário de tradição intransigente que Leïla Bekhti interpreta Leila, uma jovem alfabetizada que cansa de aceitar o destino como regra divina.
Inspirada por um fato real ocorrido na Turquia, a comédia dramática assinada por Radu Mihaileanu transforma a labuta feminina em trincheira de guerra silenciosa.
Estreia e legado
A Fonte das Mulheres estreou na França em 2011 e chegou ao Brasil em 20 de janeiro de 2012, distribuído pela Paris Filmes. Apesar de não ter marcado as bilheteiras comerciais, construiu uma base sólida em mostras de cinema e festivros universitários.
O filme foi indicado ao prêmio César de Melhor Atriz para Hafsia Herzi e consolidou o nome de Mihaileanu como um dos diretores europeus mais atentos às causas femininas no Mediterrâneo. Hoje, é lembrado como um divisor de águas na filmografia do diretor romeno-francês.
Em tempos de debates sobre divisão de tarefas domésticas, o título voltou a circular em listas de recomendação em diversas plataformas de streaming e cineclubes.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco feminino funciona como um coro grego em carne e osso. Hafsia Herzi rouba a cena com presença magnética, e Hiam Abbass ancora o drama com a autoridade de quem já viu de tudo.
Ponto alto: a direção escuta a comunidade em vez de tratá-la como cenário exótico. Os planos abertos das paisagens marroquinas dialogam com closes intimistas das protagonistas, dando densidade à crítica social.
Ponto fraco: o terceiro ato escorrega para soluções melodramáticas e resoluções um pouco açucaradas, que suavizam a tensão política do conflito.
Ponto fraco: alguns personagens masculinos são quase caricatos, o que empobrece a complexidade do debate sobre costumes e tradição.
Bastidores e curiosidades
- O roteiro foi inspirado em um caso real acontecido na aldeia de Kavakli, na Turquia, em 2001, quando mulheres paralisaram o trabalho doméstico por semanas.
- A filmagem foi realizada no Marrocos, com figurinos e cenários recriando uma comunidade imaginária que mistura influências do Magreb e do Levante.
- Sabrina Ouazani e Biyouna participara de sessões de canto com as populações locais, e várias músicas do filme nasceram desses encontros informais.
Perguntas frequentes
A Fonte das Mulheres é baseado em fatos reais?
Sim. O longa parte de um protesto ocorrido em uma aldeia turca em 2001, quando mulheres se recusaram a buscar água até que o serviço fosse modernizado.
Qual é a duração e onde posso assistir?
O filme tem 130 minutos e circula em mostras, cineclubes e catálogos de streaming, além de locadoras digitais.
O filme tem cenas sensíveis ou é indicado para todos os públicos?
Apesar de tratar temas adultos como sexualidade e opressão, não há cenas explícitas. É recomendado para maiores de 14 anos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas coletivos sobre lutas de gênero com humor ácido.
- Quem acompanhou a filmografia de Radu Mihaileanu ou admira o cinema de Nós ou Nada em Paris.
- Interessados em narrativas árabes contemporâneas com olhar feminino, no espírito de Dégradé e Má Fé.
Título original: La source des femmes
País de origem: França
Data do lançamento: 20/01/2012
Distribuidora: Paris Filmes
Diretor: Radu Mihaileanu
Principais atores: