Veja o trailer do filme A Filha
Entenda o filme
Irene tem 15 anos, vive em um centro para menores infratores e acaba de descobrir uma gravidez. A garota quer mudar de vida e vê em Javier, um dos professores da instituição, a chance de recomeçar.
O professor oferece abrigo a Irene e a esposa, Adela, em uma casa isolada nas montanhas. O acordo, no entanto, tem uma condição: ela precisa entregar o bebê ao casal assim que nascer. A partir desse pacto silencioso, a gestação vira um campo de disputa silenciosa pela posse da criança e pelo direito de uma adolescente decidir sobre o próprio corpo.
Com direção de Manuel Martíns Cuenca, o longa se inspira livremente em "O Pato Selvagem", de Henrik Ibsen, e transforma um texto teatral sobre mentiras familiares em um drama psicológico de câmara.
Estreia e legado
A Filha chegou aos cinemas brasileiros em 2 de março de 2020, poucos dias antes das salas fecharem por causa da pandemia de Covid-19. A janela de exibição ficou ainda mais curta e o filme acabou se consolidando mesmo em festivais e no circuito de streaming.
A coprodução entre Espanha e Argentina foi uma das apostas do cinema europeu daquele ano e apareceu em mostras competitivas como o Festival de San Sebastián. O longa é lembrado por quem acompanha o drama de autor como um exercício raro de tensão contida, sem reviravoltas mirabolantes e sem trilha emocional explícita.
Vale o ingresso?
Ponto alto: A construção de Javier. Interpretado por Javier Gutiérrez, o personagem é a definição de carisma tóxico. Ele parece generoso, acolhedor, quase paternal — e é justamente essa superfície amável que torna o filme perturbador. A câmera de Martíns Cuenca confia no silêncio e deixa o espectador perceber aos poucos o que está errado.
A direção de atores também merece destaque. Odessa Young no papel de Irene transmite a fragilidade de quem foi empurrada para uma vida adulta que não pediu. Anna Torv e Kate Box completam um trio feminino com pesos desiguais, mas eficiente em construir a rede de cumplicidades e omissões.
Ponto fraco: A origem teatral pesa em algumas cenas. O roteiro adapta a peça de Ibsen e, em momentos específicos, a trama entrega informações demais em diálogos expositivos, principalmente no terceiro ato. Quem busca ação ou ritmo acelerado não encontra aqui — A Filha cobra paciência.
Curiosidades
- O roteiro é uma livre adaptação de "O Pato Selvagem", peça de 1884 do norueguês Henrik Ibsen, deslocada para a Espanha contemporânea.
- A casa de montanha usada como cenário principal foi construída em um único set, o que ajudou a reforçar a sensação de clausura na fotografia.
- O filme teve dificuldades de bilheteria no Brasil por estrear em março de 2020, logo no início do fechamento dos cinemas por causa da pandemia.
Perguntas frequentes
A Filha é baseado em fatos reais?
Não. O longa é uma adaptação livre da peça "O Pato Selvagem", de Henrik Ibsen, transportada para a Espanha contemporânea.
A Filha tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com resolução fechada dentro da narrativa e não apresenta cenas extras após os créditos.
A Filha é indicado para que tipo de público?
É um drama adulto, recomendado para quem gosta de cinema europeu lento, com discussão de temas como maternidade, autonomia e abuso de confiança.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama psicológico de câmera parada, como Capitão Fantástico e Manchester à Beira-Mar.
- Quem curte adaptações modernas de clássicos do teatro, com atmosfera de conto moral e tensionamento lento.
- Espectadores que gostam de discutir ética e ambiguidade depois do filme, sem respostas prontas no roteiro.
Título original: La Hija
País de origem: Espanha
Data do lançamento: 02/03/2020
Distribuidora: Supo Mungam Filmes
Diretor: Simon Stone, Mascha Schilinski, Manuel Martíns Cuenca
Principais atores: