A Caminho
Premissa
Em uma universidade sul-coreana, a estudante Yun-ji engravida após uma relação escondida com um professor casado.
Quando o homem simplesmente desaparece, ela decide interromper a gravidez e, sem recursos, rouba as economias da colega de quarto, Kyung-sun, para conseguir pílulas abortivas vendidas por canais clandestinos.
O que começa como uma perseguição para reaver o dinheiro vira outra coisa: a aproximação real entre duas mulheres que não se conheciam de verdade.
É um drama de ficção curto, econômico, sobre o que se passa nos bastidores de uma decisão íntima.
Linha do tempo e legado
A Caminho chega aos cinemas brasileiros em 31 de dezembro de 2025, em circuito de festival, com distribuição ainda tímida e poucas salas confirmadas.
Antes do público brasileiro, o longa já circulou em dois dos principais festivais do circuito internacional. Levou o Prêmio New Currents no Festival de Busan 2025, tradicional vitrine do cinema asiático, e entrou na seleção Geração 14plus do Festival de Berlim, voltada a obras que dialogam com o público jovem.
Esse duplo reconhecimento coloca a diretora Yoo Jaein no radar do cinema autoral coreano contemporâneo, em uma geração de realizadoras como Hong Sang-soo e Byun Seung-wook que tratam temas delicados com pouca maquiagem narrativa.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro de Yoo Jaein recusa o melodrama. O aborto não é tratado como tragédia nem como lição de moral, e o humor aparece nos momentos certos para aliviar a tensão sem banalizar a história.
A construção das duas protagonistas também foge do maniqueísmo: nenhuma é vítima absoluta, nenhuma é vilã.
Ponto fraco: o ritmo é contido a ponto de parecer lento para quem espera reviravoltas. Quem busca plot twist ou conflito externo pode achar que falta engrenagem dramática.
O terceiro ato depende muito da química entre as duas atrizes, e nem sempre o vínculo entre elas convence no mesmo nível.
Bastidores
- O roteiro foi escrito pela própria diretora, Yoo Jaein, e levou cerca de três anos entre pesquisa e filmagem, com entrevistas com mulheres que passaram por abortos clandestinos na Coreia do Sul.
- O título original, Jiuri ganeun gil, pode ser traduzido de duas formas: "o caminho do aborto" ou, de forma mais neutra, "o caminho a seguir", o que resume bem o tom do filme.
- A pílula usada no longa é um medicamento real, mas vendido irregularmente no mercado coreano, o que obrigou a produção a consultar advogados antes de rodar certas cenas.
Perguntas frequentes
A Caminho tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma fechada, sem teaser nem cena extra após os créditos. Os 105 minutos de duração incluem apenas a história principal.
A Caminho é baseado em fatos reais?
Não é uma adaptação direta, mas a diretora Yoo Jaein se baseou em entrevistas reais com mulheres sul-coreanas que enfrentaram gestações indesejadas. A dramatização é ficcional, embora ancorada em pesquisa de campo.
Qual é a classificação indicativa de A Caminho?
A classificação é 14 anos, recomendada por abordar temas como sexo, gravidez não planejada e uso de medicamentos de forma realista, sem exploração visual.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema coreano autoral que acompanham os novos nomes surgindo em Busan e Berlim.
- Quem gosta de dramas femininos de câmara, próximos do tom de Kim Min-hee em Hong Sang-soo.
- Público interessado em discussões sobre autonomia corporal sem panfletismo, que prefere cinema que provoca em vez de dar respostas.
Título original: Jiuri ganeun gil
País de origem: Coreia do Sul
Data do lançamento: 31/12/2025
Distribuidora: Festival
Diretor: Yoo Jaein
Principais atores: