A Boa Filha

A Boa Filha

14 Ficção Duração: 1h 43min

O filme

A Boa Filha parte de uma separação para contar algo bem maior: o peso de crescer sob a sombra de um pai que encanta todo mundo — menos a si mesmo.

Após o divórcio, a adolescente Carmela muda-se com a mãe para a casa da avó. O novo lar é quente, mas apertado demais para o que ela sente.

O que dói mesmo é a distância do pai, um artista plástico magnético, figura que ela admira, imita e, aos poucos, começa a questionar. A câmera da diretora Júlia de Paz Solvas se agarra a esse vínculo e mostra como ele atravessa três gerações de mulheres da mesma família.

É ficção intimista, sem vilões cartunescos, sobre identidade, carisma e os heróis que a gente inventa quando é criança.

Estreia e contexto

A Boa Filha chega aos cinemas brasileiros em 31 de dezembro de 2025, em uma janela de fim de ano tradicionalmente ocupada por títulos autorais europeus. A distribuição fica por conta da Festival, com sessões pontuais em cidades selecionadas.

É o segundo longa de Júlia de Paz Solvas, cineasta espanhola que já circulou por festivais como San Sebastián. O filme se insere na nova onda do cinema espanhol feito por mulheres, ao lado de nomes como Carla Simón e Jaione Camborda.

Com 103 minutos e classificação 14 anos, aposta em exibição de nicho: poucas salas, público fiel ao cinema de arte e rodadas de debate depois da sessão. A expectativa é de carreira longa em mostras e circuito alternativo, mais do que de explosão de bilheteria.

Vale o ingresso?

Ponto alto: o elenco jovem, especialmente Alea Montesinos como Carmela, segura o filme com uma naturalidade impressionante. A direção de Solvas encontra o tom certo entre melancolia e humor seco.

Outro mérito é a direção de arte, que transforma a casa da avó num personagem à parte, com texturas, cheiros e uma luz dourada que traduz afeto sem precisar de frase.

Ponto fraco: o ritmo é contido, quase teatral em alguns trechos. Quem busca reviravoltas ou conflito declarado pode achar que A Boa Filha demora a chegar.

Também pesa uma certa hesitação no terceiro ato, quando o roteiro sugere um confronto familiar que nunca explode de fato. Funciona mais como retrato do que como drama clássico.

Curiosidades

  • O título original, La Buena Hija, tem duplo sentido em espanhol: pode ser lido como elogio irônico ou como cobrança afetiva.
  • A direção de Júlia de Paz Solvas foi elogiada pela escolha de não musicar muitas cenas, deixando o som ambiente conduzir a emoção.
  • O longa teve passagem por festivais espanhóis antes de chegar ao Brasil, reforçando a estratégia de divulgação pelo circuito de arte.

Perguntas frequentes

A Boa Filha tem cena pós-créditos?

Não. O filme encerra de forma seca, sem gancho extra após os créditos finais.

Qual é a classificação etária de A Boa Filha?

A classificação indicativa é 14 anos, por lidar com temas familiares maduros e algumas situações de tensão emocional.

A Boa Filha é baseado em fatos reais?

Não. A história é uma ficção original de Júlia de Paz Solvas, embora dialogue com vivências autobiográficas de várias cineastas espanholas contemporâneas.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema europeu autoral, especialmente do circuito espanhol recente (Carla Simón, Jaione Camborda, Isabel Coixet).
  • Quem gosta de dramas familiares silenciosos, com câmera próxima e diálogos econômicos.
  • Interessados em representações de relações pai-filha e maternidade fora do lugar-comum.

Título original: La Buena Hija

País de origem: Espanha

Data do lançamento: 31/12/2025

Distribuidora: Festival

Diretor: Júlia de Paz Solvas

Principais atores: