Marcelo Valle Silveira Mello (Brasília, 9 de agosto de 1985) é um cracker brasileiro preso nas operações Intolerância e Bravata da Polícia Federal por crimes tais como racismo, ameaças terroristas, divulgação de pornografia infantil, incitar a violência contra negros, homossexuais, mulheres, nordestinos e judeus, pregar o abuso sexual contra crianças e planejar o assassinato de alunos do curso de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB). Marcelo cumpre pena na Penitenciária Federal de Campo Grande e deverá passar por avaliação neuropsicológica, segundo determinação da 14ª Vara Federal de Curitiba. Em 2009, se tornou a primeira pessoa a ser condenada por racismo na internet no Brasil.
Marcelo ingressou na UnB, após passar no vestibular para o curso de Letras, em 2005, e na Universidade Católica de Brasília (UCB), em 2006, onde se formou em Ciência da Computação. A trajetória criminosa de Mello teve início em 2005, quando ele publicou uma sequência de ofensas contra negros em um fórum da UnB, no site de relacionamentos Orkut. Por meio da internet, Mello fazia comentários pejorativos sobre os colegas aprovados por meio do sistema de cotas. Foi processado e condenado, em 2009, a um ano e dois meses de prisão, sendo o primeiro condenado no Brasil por racismo no universo digital.
Nos anos seguintes, Marcelo aprofundou seu arsenal de ofensas e ampliou o leque das vítimas. Distribuía ameaças de morte e, aos poucos, passou a concentrar suas mensagens no site "Silvio Koerich", motivador da prisão na Operação Intolerância da Polícia Federal. Até então ele mudava frequentemente o veículo usado para divulgar suas ideias, o que dificultava o rastreamento. Passou a fazer intimidações diretas e as ameaças de morte citavam aspectos da vida pessoal das vítimas, inclusive dos filhos. Após um ano e seis meses detido no Paraná, ganhou o direito de cumprir pena em liberdade. Mello voltou a cometer crimes, desta vez no fórum "Dogolachan". Em 2018, foi preso pela Operação Bravata da PF e foi condenado a 41 anos, 6 meses e 20 dias de prisão por racismo, coação no curso do processo, associação criminosa, incitação ao cometimento de crimes, divulgação e disponibilização de imagens de pornografia infantil e terrorismo cometidos na internet. Mais tarde o Tribunal Regional Federal da 4ª Região reduziu a pena para 11 anos de detenção em regime fechado. Marcelo é apontado como grande incentivador de cometimento de crimes ainda mais graves por parte de terceiros, como homicídios, feminicídios e terrorismo.
Em 2021, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negou um habeas corpus em favor de Marcelo Valle Silveira Mello. Seu advogado requereu no habeas corpus a progressão de regime, para que fosse transferido para uma unidade prisional adequada ao regime semiaberto. Caso o pedido liminar não fosse aceito, ele requisitou, subsidiariamente, o retorno provisório ao Complexo Médico Penal de Curitiba, local onde ficou preso inicialmente.