Afonso Arinos

Este artigo é sobre o escritor brasileiro nascido em 1868. Para o jurista e político nascido em 1905, veja Afonso Arinos de Melo Franco (sobrinho). Para o diplomata e escritor nascido em 1930, veja Affonso Arinos de Mello Franco.

Afonso Arinos de Melo Franco (1 de maio de 1868 – 19 de fevereiro de 1916) foi um escritor, jornalista, advogado e professor brasileiro. Escreveu contos, romances, comentários políticos, ficção histórica e estudos de folclore. Seus livros mais conhecidos são Pelo sertão, uma coletânea de contos, e Os jagunços, romance sobre a Guerra de Canudos, ambos publicados em 1898.

Nascido em Paracatu, Minas Gerais, Arinos formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1889. Exerceu a advocacia e lecionou em Ouro Preto, onde ajudou a fundar a Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais. Monarquista após a Proclamação da República, escreveu para jornais mineiros antes de se mudar para São Paulo a fim de dirigir O Comércio de São Paulo. Seu jornalismo defendia a continuidade política e cultural com o Império e criticava o abandono do interior brasileiro pelo governo republicano.

O sertão unia o pensamento literário e político de Arinos. Em Pelo sertão, recorreu à fala, às narrativas orais, às paisagens e à vida social de Minas Gerais e Goiás. Sustentava que a literatura brasileira deveria se desenvolver a partir das histórias e dos costumes do próprio país, rejeitando a imitação de modelos europeus e a concentração na vida urbana do litoral. Seu nacionalismo conferia ao sertanejo um lugar na cultura brasileira, embora preservasse uma visão hierárquica e paternalista da autoridade social.

Arinos aplicou essas ideias a Canudos em Os jagunços, publicado inicialmente em folhetim em 1897 sob o pseudônimo Olívio de Barros. O romance retratou os seguidores de Antônio Conselheiro como integrantes de uma população rural abandonada e atribuiu o conflito à negligência governamental e ao emprego da força militar. Publicado quatro anos antes de Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi uma das primeiras narrativas ficcionais sobre a guerra. Arinos foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1901 e tomou posse na cadeira 40 em 1903. Mais tarde viveu em Paris e continuou a recolher elementos do folclore brasileiro. Retornou ao Brasil em 1915 para ministrar conferências sobre tradições populares e unidade nacional. Morreu em Barcelona no ano seguinte. As histórias da literatura o situaram entre os escritores regionalistas brasileiros, enquanto estudos posteriores também examinaram sua ficção, seu jornalismo e suas pesquisas folclóricas como parte da corrente nacionalista das letras brasileiras.