Versão censurada de "Bohemian Rhapsody" deixa fãs furiosos na China

Publicado em 27/03/19 13:00

A chegada de "Bohemian Rhapsody" no circuito de cinemas comerciais da China tem causado comoção no país. Isso porque os censores locais decidiram cortar uma série de cenas relacionadas à sexualidade de Freddie Mercury (Rami Malek), além de momentos em que a banda consome drogas ilícitas.

A revista "Billboard" conversou com diversas pessoas que viram o filme no país. "As cenas deletadas afetam a história. O filme é sobre como Freddie encontrou sua identidade, e sua sexualidade é parte disso", comentou Peng Yanzi, ativista de direitos LGBTQ+ na China e fã de longa data do Queen.

Outra ativista, Hua Zile, fez questão de ver "Bohemian Rhapsody" duas vezes -- uma na China, com todas as cenas cortadas; e outra no território semiautônomo de Hong Kong, onde as leis de censura são menos estritas.

"É uma pena o que eles fizeram com o filme", comentou. "Isso enfraquece a identidade gay do personagem. É desrespeitoso à experiência real de Mercury, e deixa o personagem superficial. Não o vemos crescendo".

Entre as cenas cortadas pelos censores chineses, destaque para o momento em que Mercury diz para Mary Austin, então sua mulher, que pode não ser heterossexual. O momento em que o vocalista revela aos companheiros de banda que tem AIDS ficou sem o áudio.

Su Lei, que trabalha como contadora, disse à "Billboard" que leu a biografia de Mercury antes de assistir ao filme. "Os cortes foram desnecessários. É uma nova era na China, influenciada por produtos do Ocidente. Todo mundo seria capaz de entender e aceitar [a sexualidade do personagem]", disse.

Na lei chinesa, conteúdos de teor homossexual não são expressamente proibidos nos cinemas, mas não podem ser exibidos na TV e, desde 2017, nem nos serviços de streaming disponíveis no país.

Apesar da falta de clareza das leis, os censores chineses costumam não autorizar a exibição de filmes com personagens LGBTQ+. Títulos como "O Segredo de Brokeback Mountain" não estrearam no país, e até "Deadpool 2" (que inclui um casal lésbico de super-heroínas) precisou fazer cortes para entrar na China.

Fonte: UOL Cinemas // Caio Coletti