Última música de Morricone homenageia vítimas de desabamento

Publicado em 06/07/20 12:00

A última composição deixada pelo maestro italiano Ennio Morricone, que morreu hoje, aos 91 anos de idade, é uma música de orquestra dedicada às 43 vítimas do desabamento da Ponte Morandi, ocorrido em agosto de 2018, em Gênova.

A composição se chama "Tante Pietre a Ricordare" ("Muitas Pedras para Lembrar", em tradução livre) e será executada na noite anterior à inauguração da nova ponte, prevista para o fim de julho, pela Orquestra do Teatro Carlo Felice, de Gênova.

A música tem quatro minutos de duração e é a última partitura concluída pelo maestro, que é autor de inesquecíveis trilhas sonoras para o cinema e vencedor de duas estatuetas no Oscar, incluindo uma pelo conjunto de sua obra.

O músico e compositor faleceu em uma clínica de Roma, capital da Itália, devido às consequências de uma queda. A família anunciou que o funeral será fechado ao público, "no respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os atos de sua existência".

Trajetória

Nascido no dia 10 de novembro de 1928, em Roma, Ennio Morricone criou mais de 500 melodias para o cinema e a televisão, e suas grandes paixões eram a música sinfônica e a experimentação.

Filho de trompetista e formado no Conservatório de Santa Cecilia, uma das escolas de música mais renomadas da Itália, ele faz parte do restrito panteão dos grandes maestros da história do cinema, como confirmam a estrela na Calçada da Fama de Hollywood e os dois prêmios no Oscar: um em 2007, pelo conjunto de sua obra, e outro em 2016, pela trilha sonora original de "Os Oito Odiados", de Quentin Tarantino, um de seus maiores fãs.

Além disso, foi indicado outras cinco vezes: por "Cinzas no Paraíso", em 1979, "A Missão", em 1987, "Os Intocáveis", em 1988, "Bugsy", em 1992, e "Malèna", em 2001.

Outros grandes trabalhos de Morricone são as trilhas originais de "Por um Punhado de Dólares" (1964), "Cinema Paradiso" (1988) e "Bastardos Inglórios" (2009).

Ao relatar sua grande capacidade de trabalhar com o cinema, o maestro explicou certa vez que gostava de ter liberdade. "Há diretores que pedem coisas razoáveis e, neste caso, eu os ouço.

Mas, depois, coloco minha assinatura, a minha atenção criativa.

Essa aceitação dos pedidos dos diretores não é passiva." Segundo Morricone, a trilha sonora, antes de agradar ao diretor e ao público, precisava agradar a ele próprio. "Eu devo ficar contente antes do cineasta. Não posso trair minha música", dizia.

O maestro italiano também conquistou três prêmios no Globo de Ouro, seis no Bafta e 10 no David di Donatello, o "Oscar" do cinema italiano.

Fonte: UOL Cinemas // UOL