Roteiristas de "Rei Leão" e outros clássicos Disney não receberão por remakes

Publicado em 11/01/19 14:00

O animador e roteirista Jorgen Klubien se orgulha muito de sua contribuição para um dos maiores clássicos da animação americana, "O Rei Leão". Ele ajudou a criar o conceito de cenas-chave do filme, e recebeu crédito de "história" quando o longa-metragem foi lançado, em 1994.

No entanto, como revela o "The Hollywood Reporter", Klubien e outros 16 roteiristas que participaram da animação não receberão crédito, e consequentemente não devem receber nenhum dinheiro de direitos autorais, pelo remake que chega aos cinemas em 18 de julho de 2019.

"Como eles puderam não colocar o meu crédito?", comentou Klubien em entrevista. "Como eles podem simplesmente apagar a minha contribuição?".

O roteirista é vítima de uma tecnicalidade ultrapassada da indústria da animação, cujos roteiristas não se juntaram ao sindicato da categoria (o WGA, ou Writers Guild of America) até 1994, precisamente o ano do lançamento de "O Rei Leão".

Como resultado, o clássico da Disney foi concebido sob as regras de uma instituição com bem menos influência na indústria, a TAG (The Animation Guild), específica para filmes animados.

Assim, o roteiro original de "O Rei Leão" é tratado pela Disney da mesma forma que um livro ou história em quadrinhos seria: o estúdio só é obrigado a pagar pelos direitos autorais uma vez -- ou, nesse caso, nenhuma, já que a história foi concebida por contratados da Disney.

O mesmo deve acontecer com outras adaptações em live-action de clássicos animados da Disney planejadas para 2019, como "Dumbo" (28 de março) e "Aladdin" (23 de maio). Para o pesquisador Matt Stahl, especialista na indústria de animação, está na hora dessas regras serem mudadas.

"É basicamente tudo política. Em certo momento, as circunstâncias permitem que determinados grupos de criadores clamem direitos autorais, e outros não. Alguns empregados tem a possibilidade de ameaçar greves, e os empregadores cedem às exigências, instituicionalizando determinados sistemas", refletiu.

Fonte: UOL Cinemas // Caio Coletti