Liam Neeson se desculpa por comentário racial "impulsivo": "Passei do ponto"

Publicado em 29/03/19 18:00

Semanas após fazer um comentário controverso de que já teve vontade "matar um negro", Liam Neeson pediu desculpas em comunicado sobre o caso.

"Ao longo das últimas semanas, tenho refletido e falado com várias pessoas que foram prejudicadas pela minha lembrança impulsiva de um estupro brutal de uma querida amiga há quase 40 anos e meus pensamentos e ações inaceitáveis", disse o ator.

"O horror do que aconteceu com minha amiga deu início a pensamentos irracionais que não representam a pessoa que eu sou. Para explicar essas declarações hoje, eu passei do ponto e magoei muitas pessoas em um momento em que a linguagem é tão frequentemente armada e uma comunidade inteira de pessoas inocentes é alvo de atos raivosos", acrescentou.

"O que não consegui perceber é que não se trata de justificar minha raiva há tantos anos, mas também do impacto que minhas palavras têm hoje. Eu estava errado em fazer o que fiz. Eu reconheço que, embora os comentários que fiz não reflitam, de forma alguma, meus verdadeiros sentimentos, eles foram prejudiciais e divisíveis. Eu peço desculpas profundamente.", concluiu.

O caso

O ator contou em entrevista em fevereiro ao Independent que, certa vez, voltou para sua casa em Londres (no Reino Unido) após uma viagem e descobriu que uma de suas melhores amigas havia sido estuprada.

"Ela lidou com tudo de forma extraordinária, foi muito forte", comentou. "Mas minha reação imediata foi... Eu perguntei se ela sabia quem foi, e ela disse que não. Perguntei se era alguém branco ou negro, e ela disse negro", continuou Neeson.

"Eu fui para a rua com um cassetete, esperando que alguém me abordasse. Eu sinto vergonha de dizer isso hoje em dia. Eu fiquei andando pela rua todas as noites por uma ou duas semanas, esperando que algum negro viesse para cima de mim ou algo assim. Para que eu pudesse matá-lo", completou.

Após as declarações, o ator de 66 anos negou ao programa "Good Morning America", da emissora americana ABC, ter preconceito: "Não sou racista". Ele explicou que "nunca tinha experimentado esse sentimento antes". "Foi um impulso primitivo de atacar alguém".

Fonte: UOL Cinemas // Rodolfo Vicentini