Laís Bondanzky assume Spcine: "Cultura é garantida pela constituinte"

Publicado em 26/03/19 17:00

A cineasta paulistana Laís Bodanzky assumiu hoje, em cerimônia no complexo cultural Praça das Artes, centro de São Paulo, a direção da Spcine prometendo, em primeiro lugar, ampliar a comunicação do setor, que precisa ouvir mais a si mesmo e a outro segmentos, incluindo as empresas privadas.

"Queremos criar um choque de comunicação para todos saberem o que a Spcine fez e faz", disse Laís, frente a um auditório lotado, referindo-se a projetos como o circuito Spcine, que leva o cinema a periferias da cidade e o Spcine Play, plataforma de streaming mantida pelo órgão.

Primeira mulher a dirigir o órgão, a diretora também divulgou planos de ampliar o conselho consultivo do Spcine, com datas fixas de reuniões e metodologia, além de investir no Observatório da entidade, com levantamento de dados sobre o audiovisual que se transformem efetivamente em políticas públicas.

"Chego aqui pegando uma empresa saudável. Não vou pegar um abacaxi. É uma empresa que nasceu de forma sólida", ressaltou a cineasta, indicada pelo novo secretário de Cultura da gestão Bruno Covas (PSDB), Alê Youssef, e que por 15 anos desenvolveu o projeto social Tela Brasil, levando cinema a diversas regiões do Brasil.

A Spcine foi criada em 2015, na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), com objetivo de fomentar e desenvolver o audiovisual, que hoje vive um momento delicado no país.

Com um ministério rebaixado à secretaria pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), a área da cultura vem sendo enxugada e enfrentando cortes de patrocínio de empresas estatais, como a Petrobras, Caixa e BNDES.

O financiamento de filmes, festivais e a existência de cinemas de rua em São Paulo, como o Cine Belas Artes, vem sendo colocados em xeque.

Em alusão à situação politica, a nova diretora leu o trecho da Constituição que garante ao brasileiro o direito à livre manifestação artística e de pensamento. Antes, Youssef fez um forte discurso sobre a recente onda que chamou de "criminalização da cultura".

"Nosso partido é a cultura", sintetizou. "A cultura vem sendo atacada, objeto de boatos absurdos, de empresas estatais retirando patrocínios, de ataques a Lei Rouanet e ao sistema S. A melhor maneira de enfrentar tudo isso é continuar fazendo coisas belas, e isso passa por escolher uma equipe plural e representativa."

Fonte: UOL Cinemas // Leonardo Rodrigues