Deadpool | A história perfeita para o terceiro filme do mercenário

Publicado em 12/11/19 21:00

Com dois filmes lançados desde 2016, Deadpool está de casa nova após a compra da Fox pela Disney, criando assim a chance de o mercenário, interpretado por Ryan Reynolds, integrar o MCU em alguns anos. Tanto o ator quanto outros envolvidos na produção garantem a continuidade dos elementos essenciais que fizeram de Deadpool e Deadpool 2 dois dos filmes para maiores de maior sucesso do mundo, superados apenas recentemente por Coringa.

Com a iminente chegada do novo longa, uma nova história começa a ser discutida, mas em 2010, Duane Swierczynski e Leandro Fernandes já introduziram a história perfeita para a chegada de Wade Wilson ao Marvel Studios.

A história

A história, na verdade, tem ligação direta com X-Men Origens: Wolverine, bomba cinematográfica responsável por introduzir o Deadpool no cinema em 2009, já com Reynolds no papel. Mesmo com o fracasso do filme, um derivado focado no anti-herói entrou em pré-produção e os editores da Marvel Comics não perderam a oportunidade de mostrar o que o personagem acharia de ver sua vida parar nas telonas.

O resultado foi a edição única da HQ X-Men Origens: Deadpool, que mostra o Mercenário Tagarela entrevistando roteiristas interessados em entrar no mundo de adaptações de super-heróis. A edição mostra Wade contando sua vida antes e depois do experimento que lhe deu poderes a um desses escritores, mais interessado no humano do que no herói.

Sem esconder os detalhes sórdidos, como o fato de gostar matar ditadores, ou a constante dor após a ativação de sua mutação, Deadpool também conta sobre seu pai, que o abandonou quando ainda era um garoto. Esse “peso emocional” dá ao roteirista a “brilhante” ideia de transformar a vida do mercenário em um blockbuster para toda a família.

No resultado final, Wade é mostrado sem suas cicatrizes características, seu codinome é escrito de maneira errada, o abandono de seu pai é substituído por uma explosão sem sentido e suas ações não-honrosas no exército são mostradas como feitos heroicos de um verdadeiro patriota americano (apesar de ele ser canadense).

Em um acesso de fúria, Deadpool se imagina sacando suas armas e massacrando todos os presentes na grande estreia de Dead Pool: Origens, mas retoma o autocontrole e deixa a sala antes de realizar a fantasia sanguinária.

Como isso pode funcionar no MCU

Em Homem-Aranha: Longe de Casa, é revelado que produções sobre heróis já são algo regular no MCU: quando Peter (Tom Holland) está a caminho de Veneza, o avião disponibiliza uma biografia sobre Tony Stark (Robert Downey Jr.), um documentário educativo de Erik Selvig (Stellan Skarsgard) e outro sobre o estalo de Thanos (Josh Brolin). Com isso, é possível concluir que alguns estúdios de dentro do universo cinematográfico também estejam atrás de novas histórias e novos heróis, aproveitando a obsessão popular por seres superpoderosos.

Recém-chegado ao “novo mundo”, um muito menos violento e mais educado do que está acostumado, Deadpool usaria a metalinguagem rotineira de suas histórias em busca de fama, reconhecimento e de uma idolatria semelhante ao que mundo tem pelo Homem de Ferro. A história adaptada pelo novo filme não precisa necessariamente ser a mesma da HQ, já que a transformação de Deadpool já foi contada. O humor autorreferente da trama permite que os produtores do novo longa abordem as diferenças entre o MCU e os filmes do mercenário na Fox, ao mesmo tempo em que introduzem ele de vez ao grande cenário do universo compartilhado.

O filme dentro do filme pode até mesmo ser a maneira como outros super-heróis ou vilões ficam sabendo sobre a existência de Deadpool, buscando então uma aliança com o personagem para futuras produções que reúnam super-grupos, como os Thunderbolts ou Vingadores Secretos.

Com esse arco, Deadpool 3 pode também tirar sarro de diversas “polêmicas” da indústria, como as infames diferenças criativas – resolvidas por Wade na bala – e até mesmo citar críticos mais ferrenhos dos blockbusters inspirados em quadrinhos.

Fonte: Omelete // Nicolaos Garófalo