10 filmes e séries para entender a história da luta contra a AIDS

Publicado em 01/12/20 12:00

1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, criado em 1988 para reforçar a conscientização quanto à doença que já matou mais de 32 milhões de pessoas desde o seu descobrimento, em 1981, até 2019 (dados da ONU).

Enquanto atualmente, com o avanço da medicina, o HIV não é mais uma sentença de morte (de fato, 38 milhões de pessoas convivem hoje com a doença), informação é essencial para conter novas infecções — e mídias como o cinema e a TV podem ajudar, e muito, trazendo retratos honestos da pandemia.

Abaixo, indicamos 10 filmes e séries que lançam um olhar importante sobre a HIV/AIDS:

1. "E a Vida Continua" (1993)

Cena de 'E a Vida Continua' (1993) - Reprodução - Reprodução
Cena de 'E a Vida Continua' (1993)
Imagem: Reprodução

Um dos primeiros tratamentos midiáticos da doença, o telefilme "E a Vida Continua" mostra como brigas mesquinhas dentro da comunidade médica e de instituições governamentais impediram um combate mais eficiente da doença no começo de seu alastramento.

O protagonista é o Dr. Don Francis (Matthew Modine), que luta contra a falta de fundos e a descrença de colegas para ajudar a comunidade LGBTQ+ a conhecer melhor e, eventualmente, lutar contra a doença.

O ícone gay Ian McKellen ("O Senhor dos Anéis", "X-Men") interpreta Bill Kraus, ativista LGBTQ+ que se junta ao Dr. Francis na luta. O elenco ainda inclui outros atores assumidos, como Lily Tomlin ("Grace and Frankie") e B.D. Wong ("Law & Order: SVU").

Onde assistir: Disponível no HBO Go.

2. "Filadélfia" (1993)

No mesmo ano em que "E a Vida Continua" abordava, na TV, a pandemia pelo olhar da comunidade médica, "Filadélfia" chegava aos cinemas com uma história profundamente pessoal e tocante.

No filme de Jonathan Demme (recém-saído do Oscar por "O Silêncio dos Inocentes"), Tom Hanks interpreta Andy Beckett, que é demitido de sua firma de advocacia após o diagnóstico positivo de HIV/AIDS ser descoberto pelos sócios.

O longa retrata a batalha judicial de Andy e do advogado Joe Miller (Denzel Washington) contra a firma enquanto a doença progride. Com Antonio Banderas no papel do namorado de longa data do protagonista, "Filadélfia" pode parecer tímido para os dias de hoje, mas trouxe uma história sobre a comunidade LGBTQ+ e o que ela passava naquele momento da história para o mainstream, vencendo dois Oscar (incluindo melhor ator).

Onde assistir: Disponível no HBO Go e no NOW; para alugar na Microsoft Store, Google Play e iTunes.

3. "Anjos na América" (2003)

Dez anos se passariam até a visão de um integrante da comunidade LGBTQ+ sobre a pandemia da AIDS chegar ao grande público — sucesso nos palcos desde 1991 e vencedora do Tony e do Pulitzer para o autor Tony Kushner, a peça "Anjos na América" virou uma das obras definidoras dos anos 2000 na TV.

A minissérie, lotada de astros como Al Pacino, Meryl Streep, Emma Thompson e Jeffrey Wright, faz um retrato amplo dos EUA dos anos 1980, marcados profundamente pelo HIV e pela presidência de Ronald Reagan, que pouco fez para combater ou mesmo reconhecer publicamente a doença.

Kushner, que é gay e se casou com Mark Harris em 2008, adicionou um Emmy a sua prateleira por adaptar sua peça para a TV.

Onde assistir: Disponível no HBO Go.

4. "Cazuza - O Tempo Não Para" (2004)

Para o bem ou para o mal, Cazuza foi a face mais famosa do HIV/AIDS no Brasil. Em 1989, o ídolo do rock se tornou a primeira celebridade brasileira a revelar ser soropositivo, quase um ano antes de morrer, aos 32 anos de idade.

Muito há o que se falar do espetáculo público que se fez da progressão da doença de Cazuza, especialmente na imprensa, mas a cinebiografia "Cazuza - O Tempo Não Para" está mais interessada na intimidade do artista, e em lançar um olhar compassivo para suas falhas e acertos.

Apesar do final trágico ser parte do fascínio que a história de Cazuza provoca ainda hoje, o longa estrelado por Daniel de Oliveira abre espaço para um retrato completo do homem e do artista que levou a AIDS para o domínio público no Brasil.

Onde assistir: Disponível na Amazon Prime Video e no NOW; para alugar no Google Play e iTunes.

5. "Juntos Pela Vida" (2007)

Representando uma rara performance dramática para Queen Latifah, o telefilme "Juntos Pela Vida" trouxe uma história da AIDS fundamentalmente diferentes daquelas que vieram antes... simplesmente porque a sua protagonista sobrevivia.

Quando conhecemos a personagem de Latifah, Ana Wallace, ela vive com o HIV há 11 anos, após contrair o vírus através de uma agulha usada por ela e pelo namorado para injetar drogas.

Apesar do passado duro, a personagem encontra positividade tocante em sua vida, liderando um grupo de apoio a outros indivíduos soropositivos e lutando para recuperar a guarda da filha, que perdeu por causa do vício.

Onde assistir: Disponível no HBO Go.

6. "The Normal Heart" (2014)

Ao lado de "Anjos na América", "The Normal Heart" é a outra grande obra teatral de um autor LGBTQ+ a abordar a pandemia da HIV/AIDS enquanto ela ainda acontecia. Encenada pela primeira vez em 1985, a obra de Larry Kramer foi transportada para a TV por Ryan Murphy ("Glee") em 2014.

O telefilme tocante usa atores assumidamente LGBTQ+, como Jim Parsons, Matt Bomer e Jonathan Groff, para contar a história da doença através dos olhos de ativistas e artistas que viviam em Nova York (EUA) durante os anos 1980.

Coestrelado por Mark Ruffalo e Julia Roberts, o telefilme venceu o Emmy de sua categoria e levou vários de seus atores a indicações.

Onde assistir: Disponível no HBO Go

7. "120 Batimentos Por Minuto" (2017)

A organização ACT UP foi parte importante da luta contra a AIDS ao redor do mundo nos anos 1980 e 1990. O épico francês "120 Batimentos por Minuto" se concentra especialmente na atuação dos ativistas da filial de Paris, pelos olhos do diretor Robin Campillo.

O mais bacana do filme é como ele retrata os conflitos internos entre os integrantes do grupo, que discordam sobre os métodos de protesto, sem que isso diminua a força de sua causa ou de seu comprometimento, inclusive à solidariedade uns com os outros.

Com 2h20 de duração, "120 Batimentos por Minuto" é um feito extraordinário de cinema, e uma obra autêntica também: tanto Campillo quanto o roteirista Philippe Mangeot participaram dos protestos da ACT UP Paris nos anos 1990.

Onde assistir: Disponível no Globoplay e no NOW; para alugar no Google Play e iTunes.

8. "Howard: Sons de um Gênio" (2018)

A história de Howard Ashman é uma das mais marcantes da pandemia do HIV/AIDS nos EUA. O compositor das canções de "A Pequena Sereia", "A Bela e a Fera" e "Aladdin" estava no auge de sua carreira na Disney quando morreu, em 1991, aos 40 anos de idade.

Ashman não chegou a ver sua obra-prima, "A Bela e a Fera", ser lançada nos cinemas — e, quando venceu o Oscar, no ano seguinte, foi o seu parceiro de longa data, Bill Lauch, quem subiu ao palco, chamando a atenção para as vítimas da AIDS no discurso.

Nas melhores cenas de "Howard: Sons de um Gênio", a arte deixada por Ashman fala por si mesma, mesmo que o diretor Don Hahn por vezes tente diminuir o impacto da sexualidade e da doença do compositor em sua obra.

Onde assistir: Disponível no Disney+.

9. "O Ano de 1985" (2018)

Este delicado filme em preto e branco, dirigido por Yen Tan, se concentra na história de um jovem voltando para casa no que acha que pode ser o seu último Natal antes de morrer por complicações do HIV/AIDS.

Cory Michael Smith, conhecido por muitos como o Charada de "Gotham", entrega-se ao papel de maneira comovente, enquanto Virginia Madsen e Michael Chiklis vivem pais que dançam ao redor da realidade do filho com graus variados de aceitação e rejeição.

É um filme angustiante, um belo tributo a toda uma geração perdida para o descaso governamental, o medo da homofobia e a necessidade de se esconder. Às vezes, as histórias tristes são as que mais precisamos ouvir.

Onde assistir: Para alugar na Microsoft Store.

10. "Pose" (2018-)

Talvez a obra de maior destaque no mainstream sobre a pandemia da HIV/AIDS, "Pose" mergulha no cenário LGBTQ+ da Nova York dos anos 1980 e 1990, centrando narrativas de mulheres trans negras, para retratar o impacto da doença de um ponto de vista que ainda faltava chegar às telas.

Melhor ainda, a série de Steven Canals e Ryan Murphy triunfa por conceder aos seus personagens vidas plenas e vitoriosas para além da doença e da opressão. "Pose" é frequentemente uma explosão de alegria, fraternidade e expressão — mesmo em meio a tanta tragédia.

A caminho da terceira temporada, a série ficará marcada como uma revolução na TV norte-americana, e quem não a assiste está perdendo um pedaço essencial de arte da atualidade.

Onde assistir: 1ª temporada disponível na Netflix.

Fonte: UOL Cinemas // UOL